{"id":2956,"date":"2016-12-30T14:05:18","date_gmt":"2016-12-30T17:05:18","guid":{"rendered":"http:\/\/cenib.com.br\/s\/?p=2956"},"modified":"2016-12-30T14:05:18","modified_gmt":"2016-12-30T17:05:18","slug":"a-equipe-de-enfermagem-e-maslow-insatisfacoes-no-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cenib.com.br\/site\/a-equipe-de-enfermagem-e-maslow-insatisfacoes-no-trabalho\/","title":{"rendered":"A equipe de enfermagem e Maslow: (in)satisfa\u00e7\u00f5es no trabalho"},"content":{"rendered":"<p>Fonte: \u00a0<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8915547499582796\">VITORIA-REGIS, Lorena Fagundes Ladeia<\/a>; <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8894132653561892\">PORTO, I. S.<\/a> . A Equipe de Enfermagem e Maslow: (In)satisfa\u00e7\u00f5es no trabalho. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 59, p. 565-568, 2006<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-Vhw4oGg3ACY\/VCj8aAEQvhI\/AAAAAAAACf8\/5scDLnrDylk\/s1600\/maslow-hierarquia-necessidades.jpg\" width=\"400\" height=\"400\" \/><\/p>\n<p>A Enfermagem vem apontando em pesquisas cient\u00edficas vis\u00f5es e considera\u00e7\u00f5es sobre a profiss\u00e3o de maneira que lhe permita atualizar e construir um caminho profissional mais consistente.<\/p>\n<p>O cuidado em edificar uma hist\u00f3ria para Enfermagem com mais coer\u00eancia cientifica permite aos enfermeiros um crescimento intenso e apurado, capaz de alcan\u00e7ar um futuro mais atuante e decisivo.<\/p>\n<p>Neste contexto, este artigo tem a finalidade de expor e refletir sobre uma nova proposta de estudo aplicada a Enfermagem, que envolve as (in)satisfa\u00e7\u00f5es no trabalho dos integrantes da equipe de enfermagem, como ponto fundamental na realiza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de suas atividades. A retomada das necessidades humanas b\u00e1sicas \u00e9 um instrumento essencial para compreender fatores que motivam essas atividades gerando (in)satisfa\u00e7\u00e3o e bom desempenho desta equipe no trabalho.<\/p>\n<p>No decorrer de nossas trajet\u00f3rias profissionais pudemos perceber que a insatisfa\u00e7\u00e3o da equipe de enfermagem no trabalho era marcante e vis\u00edvel. Desde ent\u00e3o, come\u00e7amos a questionar o motivo de tantas insatisfa\u00e7\u00f5es e se havia comprometimento da assist\u00eancia aos pacientes. Estava claro para n\u00f3s que o cuidado prestado reside em cada um dos integrantes da equipe de enfermagem sendo influenciado atrav\u00e9s dos nossos desejos, necessidades e satisfa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cTudo que existe e vive precisa ser cuidado para continuar a existir e a viver\u201d. Ent\u00e3o, entendemos que as a\u00e7\u00f5es na Enfermagem estavam al\u00e9m das apar\u00eancias e repousavam na sua ess\u00eancia. Os valores, fundamentos, sentimentos e a\u00e7\u00f5es dos integrantes da equipe refletiamse na pr\u00e1tica. Assim, o ambiente passava a ser espelho das rela\u00e7\u00f5es pessoais e sociais. \u201cO ambiente \u00e9 como um sistema biol\u00f3gico, social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico que se organiza, desorganiza-se e reorganiza-se\u201d.<\/p>\n<p>Neste ambiente as pessoas criam identidade pr\u00f3pria, modos de viver e cuidar, no qual suas (in)satisfa\u00e7\u00f5es est\u00e3o totalmente impl\u00edcitas no processo de viv\u00eancia influenciando as rela\u00e7\u00f5es existentes neste espa\u00e7o. Diante destes questionamentos, a (in)satisfa\u00e7\u00e3o dos integrantes da equipe de enfermagem apresenta uma rela\u00e7\u00e3o com a intera\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do cuidado podendo comprometer a assist\u00eancia que ser\u00e1 prestada.<\/p>\n<p>A satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201ca\u00e7\u00e3o ou efeito de realizar-se; prazer, contentamento; corresponder \u00e0s expectativas, corresponder ao que se deseja\u201d. Em psicologia, \u201csatisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 o resultado de uma variedade de atitudes da pessoa perante fatores associados ao seu trabalho e atitude no trabalho designa o sentimento que o empregado experimenta a prop\u00f3sito do seu emprego\u201d.<\/p>\n<p>Poucas propostas relativas aos integrantes da equipe de enfermagem e sua influ\u00eancia sobre o cuidado s\u00e3o discutidas no sentido de abordar suas (in)satisfa\u00e7\u00e3o e estresse dentro do trabalho, salvo a proposta que envolve o saber &#8211; fazer da enfermagem. Sendo assim, o n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o profissional vem tornando-se fator essencial, determinante e discut\u00edvel para melhor entendimento do cuidado. O cuidar deve ser entendido como a realiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es na enfermagem considerando-se inevit\u00e1vel \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o de um conjunto de necessidades tanto da clientela, como dos integrantes da equipe de enfermagem que executam este cuidado envolvendo mais intera\u00e7\u00e3o e autonomia. Para tal, esta reflex\u00e3o prop\u00f5e uma discuss\u00e3o acerca da teoria da motiva\u00e7\u00e3o humana ou hierarquia das necessidades humanas b\u00e1sicas de Abraham Maslow correlacionandoa com as a\u00e7\u00f5es dentro da Enfermagem. Nessa hierarquia os indiv\u00edduos est\u00e3o em processo cont\u00ednuo de desenvolvimento tendendo a transitar por entre as necessidades e em busca da auto-realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>A TEORIA DAS NECESSIDADES HUMANAS B\u00c1SICAS<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ao atingirem as necessidades fisiol\u00f3gicas, de seguran\u00e7a, sociais, de estima e auto-realiza\u00e7\u00e3o os seres humanos atingem tamb\u00e9m a satisfa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para desempenharem melhor as suas atividades. Maslow \u00e9 um psic\u00f3logo e pesquisador do comportamento humano bastante conhecido na Enfermagem, pois Wanda Horta, em seus estudos como enfermeira pioneira no Brasil adaptou a teoria das necessidades humanas b\u00e1sicas para a Enfermagem, aplicando as id\u00e9ias de Maslow ao processo de cuidar. Nesta abordagem da teoria aplicada a profiss\u00e3o, a enfermeira \u00e9 o agente respons\u00e1vel que realiza o processo de planejamento para cuidar das necessidades b\u00e1sicas do cliente, estabelecendo uma a\u00e7\u00e3o direta e atuante da Enfermagem diante dos problemas apresentados por ele. Com esta adapta\u00e7\u00e3o, Wanda Horta trouxe para a Enfermagem a observa\u00e7\u00e3o, intera\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o junto ao cliente para satisfazer suas necessidades humanas b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Por outro lado, Maslow concebeu a teoria da motiva\u00e7\u00e3o humana baseada na hierarquia das necessidades humanas b\u00e1sicas. Esta teoria parte do princ\u00edpio de que todo ser humano tem necessidades comuns que motivam seu comportamento no sentido de satisfaz\u00ea-las, associandoas a uma hierarquia. O ser humano, como est\u00e1 sempre buscando satisfa\u00e7\u00e3o, quando experimenta alguma satisfa\u00e7\u00e3o em um dado n\u00edvel, logo se desloca para o pr\u00f3ximo e assim sucessivamente. Na sua teoria Maslow classifica, hierarquicamente, as necessidades em cinco n\u00edveis, a saber:<\/p>\n<ul>\n<li>Necessidades b\u00e1sicas ou fisiol\u00f3gicas: aquelas diretamente relacionadas \u00e0 exist\u00eancia e a sobreviv\u00eancia do ser humano, estando neste grupo as necessidades de alimento, \u00e1gua, vestu\u00e1rio, sexo e saneamento. Para Maslow, as necessidades fisiol\u00f3gicas s\u00e3o o ponto de partida para a teoria, pois elas s\u00e3o primordiais. As necessidades fisiol\u00f3gicas se referem \u00e0s necessidades biol\u00f3gicas do indiv\u00edduo. S\u00e3o as mais prementes, dominando a dire\u00e7\u00e3o do comportamento do ser humano quando esta se encontra insatisfeito. Assim, uma pessoa dominada por tal necessidade tende a perceber apenas os est\u00edmulos que visam satisfaz\u00ea-las, sua vis\u00e3o de futuro fica limitada e determinada por tal necessidade.<\/li>\n<li>Necessidades de seguran\u00e7a: est\u00e3o nesse grupo as necessidades relacionadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o individual contra perigos e amea\u00e7as como, por exemplo, a necessidade de sa\u00fade, trabalho, seguro, previd\u00eancia social e ordem social. Maslow ressalta que a necessidade de seguran\u00e7a permite o indiv\u00edduo dar prefer\u00eancia pelas coisas familiares, tender por uma religi\u00e3o ou filosofia de vida e pelas rotinas do dia a dia. Por\u00e9m, a necessidade de seguran\u00e7a s\u00f3 pode ser considerada um motivador ativo e dominante caso encontre-se em momentos de urg\u00eancia. Sobre este pensamento: \u201cas necessidades de seguran\u00e7a t\u00eam grande import\u00e2ncia, de vez que na vida organizacional as pessoas tem uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia com a organiza\u00e7\u00e3o e onde as a\u00e7\u00f5es gerenciais arbitr\u00e1rias ou as decis\u00f5es inconsistentes e incoerentes podem provocar incerteza ou inseguran\u00e7a nas pessoas quanto a sua perman\u00eancia no trabalho\u201d.<\/li>\n<li>Necessidades sociais: relacionadas \u00e0 vida em sociedade, englobando necessidades de conv\u00edvio, amizade, respeito amor, lazer e participa\u00e7\u00e3o. Estas s\u00e3o as necessidades de conv\u00edvio social referindo as necessidades de afeto das pessoas que convivemos tais como; amigos, noiva, esposa e filhos. O ser humano tender\u00e1 a construir relacionamentos afetivos com o intuito de se sentir integrado, parte de um grupo em sociedade. Assim, \u201cquando as necessidades sociais n\u00e3o est\u00e3o suficientemente satisfeitas, a pessoa se torna resistente, antag\u00f4nica e hostil com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que a cercam. A frustra\u00e7\u00e3o dessas necessidades conduz geralmente a falta de adapta\u00e7\u00e3o social e a solid\u00e3o. A necessidade de dar e receber afeto \u00e9 uma importante ativadora do comportamento humano quando se utiliza a administra\u00e7\u00e3o participativa\u201d.<\/li>\n<li>Necessidades do ego (estima): guardam rela\u00e7\u00e3o com a autosatisfa\u00e7\u00e3o, caracterizando-se como necessidades de independ\u00eancia, aprecia\u00e7\u00e3o, dignidade, reconhecimento, igualdade subjetiva, respeito e oportunidades. Elas expressam as necessidades ou desejos das pessoas de alcan\u00e7arem uma auto-avalia\u00e7\u00e3o est\u00e1vel, bem como uma auto-estima firmemente baseada em sua personalidade. A satisfa\u00e7\u00e3o destas necessidades conduz a sentimentos de autoconfian\u00e7a, valor, for\u00e7a, capacidade, sufici\u00eancia e utilidade ao mundo. \u201cPero la frustraci\u00f3n de estas necesidades, produce sentimientos de inferioridad, debilidad o impotencia, puede conseguirse f\u00e1cilmente un est\u00edmulo de la neurosis traum\u00e1tica grave\u201d.<\/li>\n<li>Necessidades de auto-realiza\u00e7\u00e3o: expressam o mais alto n\u00edvel das necessidades estando diretamente relacionadas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o integral do indiv\u00edduo. Neste grupo est\u00e3o as necessidades de utiliza\u00e7\u00e3o plena das potencialidades, de capacidade e da exist\u00eancia de ideologias. S\u00e3o necessidades de crescimento revelando uma tend\u00eancia de todo ser humano para realizar plenamente o seu potencial. Essa tend\u00eancia pode ser expressa como o desejo de a pessoa tornar-se sempre mais do que \u00e9 e de vir a ser tudo o que pode ser. Neste sentido: \u201cUn m\u00fasico tiene que hacer m\u00fasica, un artista tiene que pintar, un poeta tiene que escribir, si quieren estar en paz con sus respectivas personalidades. Un hombre tiene que ser lo que puede ser\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A necessidade de auto-realiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se extingue pelo pleno ato de saciar. Quanto maior for a satisfa\u00e7\u00e3o experimentada, tanto maior e mais importante parecer\u00e1 \u00e0 necessidade. O surgimento claro desta necessidade descansa na satisfa\u00e7\u00e3o anterior das necessidades fisiol\u00f3gicas, de seguran\u00e7a, de amor e estima.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das cinco necessidades citadas, acrescentou-se \u00e0 teoria, o desejo de todo ser humano de saber e conhecer. H\u00e1 assim, uma necessidade natural do ser humano de buscar o sentido das coisas, de forma a organizar o mundo em que vive. S\u00e3o as necessidades denominadas cognitivas, que incluem os desejos de saber, de compreender, sistematizar, organizar, analisar e procurar rela\u00e7\u00f5es e sentidos. Estas necessidades viriam antes da auto-realiza\u00e7\u00e3o. A necessidade de ajudar os outros a se desenvolverem e a realizarem seu potencial foi denominada como transcendente e viria posteriormente \u00e0 auto-realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem certas pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es para que as necessidades b\u00e1sicas possam ser satisfeitas e sem essas precondi\u00e7\u00f5es seria imposs\u00edvel a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades. S\u00e3o elas: liberdade de falar, liberdade de express\u00e3o, liberdade para investigar e buscar informa\u00e7\u00e3o, liberdade para se defender e buscar justi\u00e7a, equidade, honestidade e perman\u00eancia garantida dentro do grupo. \u201cAl frustrarse estas libertades, el individuo reaccionar\u00e1 con una respuesta de amenaza o emergencia\u201d .<\/p>\n<p>Nesta teoria, a hierarquia entre as necessidades est\u00e1 ligada \u00e0s caracter\u00edsticas do ser humano, independente do sistema de produ\u00e7\u00e3o. Este sistema precisa satisfaz\u00ea-las, sob pena de criar\/ampliar a press\u00e3o por parte dos sujeitos envolvidos. Para Maslow, o comportamento \u00e9 motivado por necessidades a que ele deu o nome de necessidades fundamentais.<\/p>\n<p>As necessidades fundamentais podem ser classificadas em necessidades superiores e necessidades inferiores que se orientam sob a base do principio de potencia relativa. \u201cLas necesidades b\u00e1sicas se ordenan por si mismas en una jerarqu\u00eda perfectamente definitiva, sobre la base del principio de potencia relativa\u201d. Podemos ent\u00e3o descrever que as necessidades inferiores dependem de condi\u00e7\u00f5es internas do pr\u00f3prio indiv\u00edduo, por isto est\u00e3o muito mais localizadas, s\u00e3o instintivas, animais, percept\u00edveis, mais numerosas, f\u00e1ceis de serem medidas (tang\u00edveis) e mais limitadas que as superiores.<\/p>\n<p>As necessidades superiores requerem condi\u00e7\u00f5es externas favor\u00e1veis que estejam mais acess\u00edveis \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o menos numerosas, por isto menos percept\u00edveis, menos control\u00e1veis, desenvolvem conseq\u00fc\u00eancias c\u00edvicas e sociais importantes e produzem melhores resultados subjetivos tendo como exemplo, a felicidade, serenidade e riqueza da vida interna. Quando estas necessidades est\u00e3o satisfeitas significa que o indiv\u00edduo alcan\u00e7ou maior efici\u00eancia biol\u00f3gica, maior longevidade, menos enfermidades. Sendo assim, elas s\u00e3o mais humanas e refletem a auto-realiza\u00e7\u00e3o. Sobre estas afirma\u00e7\u00f5es: \u201cUsualmente, dan mayor importancia a la necesidad superior que a la inferior aquellos que han satisfecho las dos. Aquellos que han conocido ambas consideran el autorrespeto m\u00e1s importante, subjetivamente, que un est\u00f3mago lleno. Tales personas podr\u00e1n sacrificarse m\u00e1s f\u00e1cilmente por contentar apetitos superiores y estar\u00e1n f\u00e1cilmente dispuestas a resistir la privaci\u00f3n inferior\u201d.<\/p>\n<p>O intuito em satisfazer as necessidades b\u00e1sicas est\u00e1 tamb\u00e9m associado a uma s\u00e9rie ascendente de n\u00edveis de sa\u00fade psicol\u00f3gica. Um homem que ganha respeito e admira\u00e7\u00e3o dos que est\u00e3o a sua volta, podendo desenvolver sua auto-estima, favorece progressivamente o pr\u00f3prio equil\u00edbrio psicol\u00f3gico. \u201cTal hip\u00f3tesis nos lleva a estudiar hechos antes descuidados y plantear de nuevo muchas cuestiones antiguas que no han sido contestadas\u201d.<\/p>\n<p>Assim foram levantados os seguintes pressupostos da Teoria das Necessidades Humanas B\u00e1sicas:<\/p>\n<ul>\n<li>O princ\u00edpio mais importante da vida motivacional \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o das necessidades em uma hierarquia de prioridade ou potencial;<\/li>\n<li>O comportamento humano est\u00e1 determinado pelas necessidades b\u00e1sicas e conseq\u00fcentemente motivado por elas;<\/li>\n<li>Existem pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es para que as necessidades sejam satisfeitas;<\/li>\n<li>Quando parcialmente ou satisfeita uma necessidade aparece outra do tipo superior;<\/li>\n<li>As necessidades inferiores s\u00e3o mais internas, estimuladas por quest\u00f5es do pr\u00f3prio indiv\u00edduo; e as necessidades superiores s\u00e3o mais externas, estimuladas por quest\u00f5es de fora do indiv\u00edduo;<\/li>\n<li>Quando o indiv\u00edduo atinge parcialmente suas necessidades, atinge tamb\u00e9m uma s\u00e9rie ascendente de graus de sa\u00fade psicol\u00f3gica e satisfa\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Um individuo insatisfeito \u00e9 um homem enfermo (doente);<\/li>\n<li>A n\u00e3o satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades b\u00e1sicas, com o tempo pode significar o surgimento de patologias graves;<\/li>\n<li>A insatisfa\u00e7\u00e3o das necessidades leva o individuo a n\u00e3o desenvolver o m\u00e1ximo de suas potencialidades.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Esta teoria n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica que explica o comportamento humano, pois nem todo comportamento \u00e9 determinado pelas necessidades. As necessidades fundamentais s\u00e3o em grande parte inconscientes e por outro lado, os fatores s\u00f3cio-culturais tamb\u00e9m influenciam na forma ou objetos, nos quais os homens buscam satisfazer suas necessidades.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>A TEORIA DA MOTIVA\u00c7\u00c3O HUMANA E A ENFERMAGEM<\/li>\n<\/ol>\n<p>Considerando-se o conte\u00fado exposto, \u00e9 preciso reavaliar constantemente esse conhecimento, essa pr\u00e1tica pela diversidade e essa singularidade do sujeito que cuida, durante as suas atividades. A pr\u00e1tica em algumas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade tem mostrado que as insatisfa\u00e7\u00f5es que afetam seus funcion\u00e1rios afetam tamb\u00e9m o processo de seu desenvolvimento no trabalho e devem ser levadas \u00e0 reflex\u00e3o, possibilitando a\u00e7\u00f5es coletivas para minimizar ou resolver tais problemas.<\/p>\n<p>A Enfermagem \u00e9 uma profiss\u00e3o a servi\u00e7o do ser humano e da din\u00e2mica que envolve quem cuida e quem \u00e9 cuidado (seus clientes). O cuidado \u00e9, antes de tudo, um exerc\u00edcio dos seres humanos e uma arte de observar, saber e fazer. Por isto, n\u00e3o se trata de uma a\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica a ser estudada e desenvolvida, tal como uma fun\u00e7\u00e3o bra\u00e7al. Na profiss\u00e3o est\u00e3o impl\u00edcitas as rela\u00e7\u00f5es humanas e as implica\u00e7\u00f5es que definem sua pr\u00e1tica e tudo a sua volta. Jamais analisar-se-\u00e1 a Enfermagem, sem antes reconhecer que dela nasce um universo humano extraordin\u00e1rio, revelador e original. A respeito desta afirmativa:<\/p>\n<p>A Enfermagem \u00e9 uma atividade de cuidado aos seres humanos e, como processo de trabalho, tem um objetivo e uma dire\u00e7\u00e3o. Tem uma finalidade de trabalho que ao ser caracterizado define a tend\u00eancia da sua a\u00e7\u00e3o. Tais afirma\u00e7\u00f5es significam que a pr\u00e1tica da Enfermagem revela mais do que apenas um fazer t\u00e9cnico, revela a origem e consequ\u00eancia desse fazer.<\/p>\n<p>Diante dessas argumenta\u00e7\u00f5es fica f\u00e1cil compreender porque a Enfermagem traz em si um movimento humano, pois ela \u00e9 uma ci\u00eancia em constru\u00e7\u00e3o capaz de gerar rela\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es humanas. Partindo desta afirmativa, podemos utilizar a retomada das necessidades humanas b\u00e1sicas, como uma abordagem capaz de identificar as necessidades da equipe de enfermagem, suas (in)satisfa\u00e7\u00f5es no trabalho.<\/p>\n<p>A Enfermagem sempre foi uma profiss\u00e3o que concebeu seres humanos cuidando de outros seres humanos, que interagem reagindo a cada (des)encontro e demonstrando (in)satisfa\u00e7\u00f5es. Ao contato entre quem cuida e quem \u00e9 cuidado, que se materializa com a realiza\u00e7\u00e3o do cuidado de enfermagem oferecido, aparecem as conseq\u00fc\u00eancias de um desempenho de trabalho excelente ou frustrado.<\/p>\n<p>A intera\u00e7\u00e3o entre a teoria da motiva\u00e7\u00e3o humana de Maslow e algumas caracter\u00edsticas da pr\u00e1tica da enfermagem leva a perceber que as necessidades humanas podem influenciar o desenvolvimento das atividades da equipe de enfermagem no trabalho. Portanto, a teoria pode ser utilizada tanto para fundamentar esta pesquisa, quanto a outras pesquisas de enfermagem que busquem compreender o comportamento dos indiv\u00edduos no trabalho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: \u00a0VITORIA-REGIS, Lorena Fagundes Ladeia; PORTO, I. S. . A Equipe de Enfermagem e Maslow: (In)satisfa\u00e7\u00f5es no trabalho. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 59, p. 565-568, 2006 A Enfermagem vem apontando em pesquisas cient\u00edficas vis\u00f5es e considera\u00e7\u00f5es sobre a profiss\u00e3o de maneira que lhe permita atualizar e construir um caminho profissional mais consistente. 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