{"id":2945,"date":"2016-12-20T13:16:48","date_gmt":"2016-12-20T16:16:48","guid":{"rendered":"http:\/\/cenib.com.br\/s\/?p=2945"},"modified":"2016-12-20T13:16:48","modified_gmt":"2016-12-20T16:16:48","slug":"o-envelhecimento-na-perspectiva-do-cuidador-de-idosos-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cenib.com.br\/site\/o-envelhecimento-na-perspectiva-do-cuidador-de-idosos-parte-ii\/","title":{"rendered":"O envelhecimento na perspectiva do cuidador de idosos (Parte II)"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: #333333; background: white;\">Fonte:\u00a0<\/span><a style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; orphans: 2; text-align: start; widows: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px; word-spacing: 0px;\" tabindex=\"683\" href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/4419158525709686\"><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; background: white;\">Garbin, Cl\u00e9a Adas Saliba<\/span><\/a><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: #333333; background: white;\"><span style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; orphans: 2; text-align: start; widows: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px; float: none; word-spacing: 0px;\">;\u00a0<\/span><\/span><a style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; orphans: 2; text-align: start; widows: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px; word-spacing: 0px;\" tabindex=\"684\" href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8275401688702343\"><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; background: white;\">SUMIDA, Doris Hissako<\/span><\/a><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: #333333; background: white;\"><span style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; orphans: 2; text-align: start; widows: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px; float: none; word-spacing: 0px;\">\u00a0;\u00a0<\/span><\/span><a style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; orphans: 2; text-align: start; widows: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px; word-spacing: 0px;\" tabindex=\"685\" href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2799473073030693\"><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; background: white;\">MOIMAZ, S. A. S.<\/span><\/a><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: #333333; background: white;\"><span style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; orphans: 2; text-align: start; widows: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px; float: none; word-spacing: 0px;\">\u00a0;\u00a0<\/span><\/span><a style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; orphans: 2; text-align: start; widows: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px; word-spacing: 0px;\" tabindex=\"686\" href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1389609196369970\"><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; background: white;\">PRADO, Rosana Leal Do<\/span><\/a><span style=\"font-family: 'Georgia','serif'; color: #333333; background: white;\"><span style=\"font-variant-ligatures: normal; font-variant-caps: normal; orphans: 2; text-align: start; widows: 2; -webkit-text-stroke-width: 0px; float: none; word-spacing: 0px;\">\u00a0; Silva, Milene Moreira da . O envelhecimento na perspectiva do cuidador de idosos. Ci\u00eancia e Sa\u00fade Coletiva (Impresso), v. 15, p. 2941-2948, 2010.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium\" src=\"https:\/\/nuvem22w.hoteldaweb.com.br:8443\/sitebuilder\/sites\/69\/6923e6aa46d28b1d26b01ee2ef2e104b\/attachments\/Image\/caregiver.jpg?1469280091608\" width=\"640\" height=\"428\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>DSC <\/strong><\/p>\n<p><strong>As dificuldades que eu vejo est\u00e3o a\u00ed na frente: maus-tratos, desrespeito em diversas \u00e1reas, familiares que n\u00e3o aceitam um idoso dentro de casa dando um pouco mais de trabalho, dependente de tudo, n\u00e3o enxergando direito, sem for\u00e7as para andar sozinho, \u00e9 debilitado. O velho enfrenta a solid\u00e3o, o preconceito, as doen\u00e7as. Quando tem Alzheimer sofre menos porque perde a no\u00e7\u00e3o de tudo o que est\u00e1 acontecendo. Quando \u00e9 l\u00facido \u00e9 pior porque entende tudo, tem que ficar no asilo, tem medo das pessoas. Para cuidar de idosos acamados ou em cadeiras de rodas \u00e9 preciso paci\u00eancia. <\/strong><\/p>\n<p>Todas as mudan\u00e7as consequentes do pr\u00f3prio envelhecimento acarretam desgaste tanto para o idoso quanto para o cuidador, do qual s\u00e3o requeridos paci\u00eancia, habilidade e conhecimento para lidar com a situa\u00e7\u00e3o. Uma vez que qualquer desses itens n\u00e3o esteja presente, muito facilmente haver\u00e1 converg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o para o caminho que tange os maus-tratos.<\/p>\n<p>Os maus-tratos contra idosos, descritos pela primeira vez em 1975, na Inglaterra, t\u00eam sido tema explorado em pesquisas cient\u00edficas e alvo de a\u00e7\u00f5es governamentais em todo o mundo e no Brasil, vigorosamente, desde a \u00faltima d\u00e9cada. Eles podem ser definidos como atos \u00fanicos ou repetidos \u2013 ou ainda aus\u00eancia de a\u00e7\u00e3o apropriada que cause dano, sofrimento ou ang\u00fastia \u2013 e que ocorram dentro de um relacionamento de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Na literatura especializada, os maus-tratos s\u00e3o usualmente classificados em: f\u00edsico, verbal, psicol\u00f3gico ou emocional, sexual, econ\u00f4mico, neglig\u00eancia e autoneglig\u00eancia, levando para longe a ideia de que se trata apenas da agress\u00e3o f\u00edsica. Os violentados sentem a agress\u00e3o desde um simples xingamento at\u00e9 espancamento, enquanto quem agride nem sempre se conscientiza de que aquele ato j\u00e1 \u00e9 um ato de viol\u00eancia, como deixar de trocar a fralda urinada ou simplesmente deixar de dar um copo de \u00e1gua ao idoso. Os cuidadores entrevistados entendem o que \u00e9 viol\u00eancia contra idoso; mas ser\u00e1 que eles n\u00e3o a cometem de alguma forma? Ocupar o cargo de cuidador em uma institui\u00e7\u00e3o de terceira idade por falta de op\u00e7\u00e3o (e n\u00e3o por afinidade) e n\u00e3o dar aten\u00e7\u00e3o e carinho ao interno mais carente j\u00e1 sugere viol\u00eancia.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que independentemente da forma de viol\u00eancia os idosos n\u00e3o costumam denunciar, por n\u00e3o conseguirem se locomover, por n\u00e3o terem contato com outras pessoas, por medo de maior agress\u00e3o ou mesmo de abandono; e mesmo quando fazem a den\u00fancia, ningu\u00e9m acredita em seus relatos, pois eles n\u00e3o s\u00e3o considerados l\u00facidos o suficiente para dizerem verdades, e simplesmente s\u00e3o ignorados. Diante disso, exalta-se a import\u00e2ncia da responsabilidade dos profissionais de sa\u00fade em detectar sinais de viol\u00eancia, orientar seus pacientes quantos aos tipos de apoio que eles podem recorrer e, principalmente, notificar a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica. Fernandes e Assis explicam que certos tipos de les\u00f5es e ferimentos frequentes no idoso, sua apar\u00eancia descuidada, desnutri\u00e7\u00e3o, comportamento muito agressivo ou ap\u00e1tico, afastamento, isolamento, tristeza ou abatimento profundo s\u00e3o sinais que merecem investiga\u00e7\u00e3o. Quando se enfoca sa\u00fade global, as diferentes formas de viol\u00eancia contra o idoso comprometem sua qualidade de vida, acarretando somatiza\u00e7\u00f5es, transtornos psiqui\u00e1tricos e morte prematura, apontando que idosos vitimados por maus-tratos apresentam tamb\u00e9m uma taxa de mortalidade muito mais alta que a dos idosos que n\u00e3o sofreram abuso.<\/p>\n<p>Outro fator relacionado a essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o n\u00edvel de estresse do cuidador, que tamb\u00e9m \u00e9 significante fator de risco para maus-tratos contra idosos. Embora ainda se acredite que seja um fator contribuinte para a ocorr\u00eancia de abuso, ele n\u00e3o responde, por si s\u00f3, pela sua ocorr\u00eancia. Mas se trabalhar com idosos causa tanto desgaste para quem presta este servi\u00e7o, porque optar por ele? Os cuidadores explicaram que seria pelo interesse no emprego ou no sal\u00e1rio, por ocupar a vaga por acaso, ou ent\u00e3o por gostar.<\/p>\n<p><strong>DSC <\/strong><\/p>\n<p><strong>Vim trabalhar aqui por necessidade, n\u00e3o foi op\u00e7\u00e3o de trabalho, precisava complementar minha renda, estava desempregada. Estava precisando de funcion\u00e1rio e eu fiquei sabendo da vaga e trouxe meu curr\u00edculo aqui. Vim por acaso, n\u00e3o porque eu tinha vontade de trabalhar com idosos, eu achava que era uma coisa ruim, a\u00ed me interessei em fazer isso e depois eu gostei, preferi ficar aqui com eles, depois me apeguei. \u00c9 muita satisfa- \u00e7\u00e3o em cuidar deles, me identifico muito. Tinha uma vontade muito grande de trabalhar com idosos e trabalhar aqui, meu Deus, n\u00e3o tem compara- \u00e7\u00e3o. Gosto muito de cuidar dos velhinhos. <\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)23, em 2002 a m\u00e9dia da taxa de desemprego aberto situou-se em 7,3%, o que \u00e9 superior \u00e0 m\u00e9dia do per\u00edodo de janeiro a outubro de 2001 (6,3%). Dados como estes podem ser colhidos em qualquer jornal ou telejornal di\u00e1rio brasileiro; no entanto, mesmo com a pol\u00edtica atual est\u00e1vel, n\u00e3o se consegue erradicar o desemprego, levando o cidad\u00e3o a trabalhar no emprego dispon\u00edvel no momento, n\u00e3o necessariamente na sua \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o do cuidador de idoso, seja um profissional qualificado, seja um simples volunt\u00e1rio que nunca teve qualquer tipo de forma\u00e7\u00e3o, \u00e9 um \u201ccargo\u201d que demanda muita disposi\u00e7\u00e3o, paci\u00eancia, aten\u00e7\u00e3o e capacidade de entendimento por parte de quem presta o servi\u00e7o. A capacita\u00e7\u00e3o, o conhecimento e o treinamento s\u00e3o importantes no trabalho do cuidador. Saliba et al. destacam que as mudan\u00e7as ocorridas na terceira idade levam o anci\u00e3o, em muitos casos, a necessitar de algu\u00e9m para auxili\u00e1-lo, e quando n\u00e3o \u00e9 fornecida capacita\u00e7\u00e3o ao profissional, resulta um desgaste tanto para o ser cuidado quanto para o cuidador. Esses autores ainda enfatizam que quem cuida trabalha pelos interesses de algu\u00e9m e preocupa-se com esse algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Os cuidadores entrevistados confirmaram estar no cargo por ser o \u00fanico emprego que conseguiram. Considerando todos os pontos discutidos at\u00e9 agora, fica a d\u00favida se eles realmente est\u00e3o preparados em prover o cuidado ao idoso institucionalizado, pois habilidades e virtudes, como a paci\u00eancia, n\u00e3o fazem parte da \u00edndole de todos os seres humanos. Dessa forma, sugere-se que os internos est\u00e3o mais vulner\u00e1veis aos maustratos, \u00e0 falta de est\u00edmulo \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da sa\u00fa- de mental e \u00e0 falta de cuidados espec\u00edficos, quando o preenchimento do quadro de funcion\u00e1rios que lidam diretamente com o idoso (neste caso, os cuidadores) n\u00e3o exige sele\u00e7\u00e3o por qualifica\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia profissional.<\/p>\n<p>Quando as pessoas realizam atividades com as quais n\u00e3o t\u00eam afinidade ou habilidade, estas se tornam ocupa\u00e7\u00f5es cansativas e estressantes, ficando muito aqu\u00e9m da excel\u00eancia. Caldas ressalta que recebendo cuidado encontra-se um sujeito que tem uma dimens\u00e3o existencial, sendo atingido pelos cuidados prestados pelo outro sujeito. Braun e Marcus alertam que os profissionais devem aprender uma nova filosofia quando forem tratar os pacientes idosos, mais do que um novo conjunto de habilidades cl\u00ednicas e t\u00e9cnicas. Talvez uma sele\u00e7\u00e3o mais criteriosa pra tal cargo nas institui\u00e7\u00f5es possa contribuir para melhoria na qualidade de vida dos internos e menor desgaste para quem presta o cuidado. Brunetti e Montenegro afirmam que todo profissional envolvido no cuidado e no tratamento do idoso deve ter como objetivo de sua atua\u00e7\u00e3o a manuten\u00e7\u00e3o da identidade do indiv\u00edduo e a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es que lhe permitam envelhecer graciosamente.<\/p>\n<p>Dessa forma, o cuidador deve trabalhar oferecendo todo o benef\u00edcio poss\u00edvel ao idoso. Mas o ato de cuidar de algu\u00e9m gera alguns conflitos at\u00e9 mesmo pela diferen\u00e7a de personalidades entre os seres, e por isso os cuidadores foram questionados sobre as dificuldades que eles tinham no cuidado com o idoso. Destacaram que as maiores dificuldades s\u00e3o dar aten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, ter inseguran\u00e7a, n\u00e3o haver compreens\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>DSC<\/strong><\/p>\n<p><strong>A dificuldade maior \u00e9 atender eles na hora que eles querem. Eles come\u00e7am a desabafar, contar que est\u00e3o com saudade de algu\u00e9m e eu n\u00e3o posso dar aquela aten\u00e7\u00e3o toda. Tem escassez de funcion\u00e1rio, tem que ter paci\u00eancia com eles. Fico insegura na hora da alimenta\u00e7\u00e3o, medo de engasgar, medo na hora do banho, de cair. Quando trabalho com os dependentes, n\u00e3o posso ajudar em algumas coisas como andar, enxergar&#8230; Quando eles ficam doentes, ficam muito fr\u00e1geis. Saber a t\u00e9cnica \u00e9 uma coisa, fazer funcionar \u00e9 outra. A maior dificuldade \u00e9 tentar fazer eles entenderem o que eu quero fazer. Muitas vezes eles n\u00e3o entendem.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 n\u00edtida a falta de cuidadores no quadro de funcion\u00e1rios das institui\u00e7\u00f5es, mas isso n\u00e3o justifica a falta de preparo dos entrevistados, principalmente quando se trata da inseguran\u00e7a no cuidado com o interno. A falta de compreens\u00e3o desses cuidadores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de entendimento de alguns internos pode lev\u00e1-los a agir de forma rude e grosseira com o idoso. Eles entendem a fragilidade e a debilidade na sa\u00fade geral de alguns internos, mas n\u00e3o entendem que fornecer o cuidado ideal, dar carinho, amor e aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o atitudes ben\u00e9ficas e confortantes ao anci\u00e3o, uma forma de colaborar com o estado geral do idoso. Al\u00e9m disso, mesmo aqueles considerados \u201ccapacitados\u201d por ter algum tipo de forma\u00e7\u00e3o profissional, nem sempre j\u00e1 possuem experi\u00eancia, pois eles mesmos relataram que \u00e9 dif\u00edcil colocar em pr\u00e1tica todo o conhecimento (t\u00e9cnico) adquirido.<\/p>\n<p>A falta de capacita\u00e7\u00e3o, de conhecimento e de pr\u00e1tica do profissional que presta cuidados ao idoso gera inseguran\u00e7a, desorganiza\u00e7\u00e3o, irrita\u00e7\u00e3o e falta de humanismo nele pr\u00f3prio. A maior v\u00edtima desse processo \u00e9 o idoso que depende dos cuidados, pois n\u00e3o vai receb\u00ea-los adequadamente, o que prejudica seu bem-estar. A aten\u00e7\u00e3o aos simples gestos do anci\u00e3o \u00e9 fator que faz a diferen\u00e7a. Saber medicar e dar banho e alimenta\u00e7\u00e3o nas horas certas n\u00e3o fazem da pessoa um profissional ideal para cuidar de idosos. \u00c9 ineg\u00e1vel a import\u00e2ncia do conhecimento t\u00e9cnico, mas muito al\u00e9m do cateter existe um ser humano digno de respeito e cuidados especiais.<\/p>\n<p>Esse respeito traz consigo a forma\u00e7\u00e3o de elo entre as duas partes. Com isso, \u00e9 poss\u00edvel que haja momentos bons durante todo o tempo de cuidados e aten\u00e7\u00e3o. Ao serem questionados sobre as satisfa\u00e7\u00f5es que se adquiria ao cuidar de idosos, metade dos cuidadores n\u00e3o respondeu e a outra metade teve a mesma opini\u00e3o: cuidar de idosos gera muita satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>DSC<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0S\u00e3o muitas&#8230; eles me consideram e se apegam muito. Ficam alegres quando chego no servi\u00e7o, n\u00e3o querem que eu v\u00e1 embora, transmitem carinho, me proporcionam harmonia. \u00c9 muito gratificante poder cuidar de uma pessoa e receber um sorriso, aprendo a valorizar as pessoas. Traz uma satisfa- \u00e7\u00e3o muito grande de estar valorizando a minha vida hoje, promove bem-estar e \u00e9 muito gratificante<\/strong>.<\/p>\n<p>Para quem j\u00e1 tem habilidade, gosto por cuidar de pessoas e tem afinidade com idosos, o papel do cuidador traz muita satisfa\u00e7\u00e3o. Embora os cuidadores entrevistados sintam-se de m\u00e3os atadas quando os anci\u00e3os possuem defici\u00eancias ou est\u00e3o acamados, em outros momentos eles percebem que \u00e0s vezes uma pequena atitude se torna imensa no entendimento do idoso. Desperta nesses cuidadores o afeto pelos internos, e a partir da\u00ed eles conseguem realizar o ato de cuidar com maior satisfa\u00e7\u00e3o. O maior pagamento que o anci\u00e3o pode oferecer a quem presta cuidados \u00e9 o olhar de satisfa\u00e7\u00e3o, suas hist\u00f3rias, experi\u00eancia de vida, conselhos e os gestos de gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois da cria\u00e7\u00e3o do relacionamento entre o cuidador e a pessoa que est\u00e1 sendo cuidada, inicia-se muitas vezes um la\u00e7o afetivo. A partir desse la\u00e7o, a rela\u00e7\u00e3o di\u00e1ria passa a ficar menos exaustiva e mais satisfat\u00f3ria, pois atrav\u00e9s da viv\u00eancia surgem descobertas e realiza\u00e7\u00f5es que fazem com que ambos os lados sintam-se bem. Segundo Cattani e Girardon-Perlini, o cuidar apresentase como uma manifesta\u00e7\u00e3o de afeto, uma concep\u00e7\u00e3o popular de amar, remetendo-nos a uma forma de compromisso com o outro. Os autores ainda exaltam que, nos casos de cuidadores que s\u00e3o filhos dos idosos, o ato de cuidar da pr\u00f3pria m\u00e3e (ou do pai) transcende o ato em si, pois resgata o carinho, o amor, as desaven\u00e7as do cotidiano e possibilita a retribui\u00e7\u00e3o de valores, de cuidados e tamb\u00e9m, de certa forma, o fato de existirem. Ao mesmo tempo, eles consideram as motiva\u00e7\u00f5es que permeiam a tarefa de cuidar, e dessa forma observam que \u00e9 evidenciada no cuidado uma forma de agradecimento pelas experi- \u00eancias vividas e pelos cuidados e aten\u00e7\u00e3o recebidos no passado.<\/p>\n<p>Para os cuidadores que conseguem obter satisfa\u00e7\u00f5es e enxergam recompensas nesse servi\u00e7o, o pr\u00f3prio processo de envelhecimento pode ser mais saud\u00e1vel e mais tranquilo porque eles compreendem tudo o que acontece com cada idoso; no entanto, para os outros, \u201cenvelhecer\u201d ainda \u00e9 muito dif\u00edcil, humilhante, principalmente por haver depend\u00eancia f\u00edsica e financeira. Estes est\u00e3o negligenciando a possibilidade de um dia se tornarem idosos e, pior, ignoram a hip\u00f3tese de um dia compor o n\u00famero de internos de um asilo, onde os profissionais n\u00e3o sejam qualificados, onde n\u00e3o haja ningu\u00e9m para lhes dar aten\u00e7\u00e3o e carinho, onde no meio de tanta gente seja poss\u00ed- vel sentir solid\u00e3o. N\u00e3o atentam para o fato de que um dia podem sentir-se bem e gratos por uma simples conversa com um cuidador mais atencioso e mais paciente. Para estes, ainda \u00e9 preciso crescimento, ou ent\u00e3o viver\u00e3o a pr\u00e1tica do med\u00edocre pensamento de que chegar \u00e0 terceira idade \u00e9 tornar-se velho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte:\u00a0Garbin, Cl\u00e9a Adas Saliba;\u00a0SUMIDA, Doris Hissako\u00a0;\u00a0MOIMAZ, S. A. S.\u00a0;\u00a0PRADO, Rosana Leal Do\u00a0; Silva, Milene Moreira da . O envelhecimento na perspectiva do cuidador de idosos. 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